Fotógrafa abandona profissão após ser vítima de racismo

22/11/2018 - 15h26min - Por Ohana Simas
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No ano de 2018 já foram cerca de 330 denúncias de injúria mediante preconceito registradas na Secretaria do Estado e Segurança Pública (Sesp) em Mato Grosso. Dentre as vítimas se encontra a fotógrafa Mirian Rosa, 32 anos.

 

Em maio, Miriam foi alvo de Rafael André Janini e sofreu diversas agressões verbais. Ela foi chamada de ‘crioula maldita’, sem falar do caso em que Rafael perguntou quanto ela custava, pois o mesmo precisava de uma “mucama pra ser cozinheira, faxineira, algo" em casa.

“Eu pedi medida protetiva porque sofri ameaças, fiquei com muito medo do mal que podia me acontecer, ainda tenho medo até hoje. A minha paz de viver aqui acabou e tenho certeza que nunca vou ter de volta. Isso, tenho certeza que não”, explicou

Rafael confessou a autoria do crime e a Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Várzea Grande o indiciou pelos crimes de injúria qualificada, racismo e ameaça. O inquérito policial foi concluído no dia 20 de junho e encaminhado ao Fórum de Cuiabá. Hoje, responde em liberdade.

“Eu já sabia que seria assim. Não me surpreende, essa é a lei do Brasil. As leis esta sempre a favor do acusado. Existem penas duras, só que não são cumpridas, está ai e eu sou prova viva disso”, lamentou.

Mirian não exerce mais a profissão de fotógrafa. Hoje, ela é sócia em um empreendimento com seu irmão.  

“Não voltei a exercer meu trabalho, quando eu penso em recomeçar eu desisto. Já não tenho vontade porque sei que vou ter que enfrentar as pessoas. Aquilo me trás lembranças ruins e me adoece muito. Eu até tento. Cheguei de sair em alguns lugares só que sempre volto pra casa triste, vontade de sumir e nunca mais voltar”, lembrou.

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