Ver é significar

13/10/2016 - 00h46min - Por
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A semiótica é um instrumento extremamente essencial para aqueles que estudam os aspectos conceituais da fotografia, a arte da fotografia.
Quando nos deparamos com uma imagem, muitas vezes não pensamos em seu significado, muitas vezes o autor quer contar uma história ou remeter uma conotação a determinada fotografia, porém o espectador sequer percebe isso presente.
Quando falamos da regra dos terços não falamos a toa, a regra dos terços pode ser tanto imaginária quanto real, representada no visor da câmera. Tal regra existe para trazer harmonia a imagem, permite manter um equilíbrio, isso porque alguns estudos apontaram que quando uma pessoa observa uma fotografia foca mais nos pontos de cruzamento do que para o centro da imagem. 
De modo geral, normalmente fazemos leituras da direita para a esquerda, então quando posicionamos a pessoa/objeto (neste caso o velejador) no canto esquerdo da foto, acabamos passando a sensação de que há um trajeto na frente a ser percorrido, ou seja, a pessoa está avançando, isso fica ainda melhor quando contamos com a linha do horizonte.

Porém quando o objeto/pessoa está posicionado no mesmo canto da imagem só que de costas para o lado direito, a sensação que se passa é de que o trajeto já foi percorrido:

Assim também ocorre quando a pessoa/objeto está no canto direito da imagem:

Mudando um pouco o foco do assunto (porém nem tanto)...Sabemos que foto é luz, a luz e a sombra compõem e formam a imagem, podemos mudar completamente o SIGNIFICADO e o SENTIDO de uma mesma foto, mesmo objeto ou pessoa apenas trabalhando com a luz, ela permite que criemos algo dramático ou alegre,  A semiótica peirceana é, como disse a Santaella, “um método científico para orientar o raciocínio”.
Realizei um experimento simples, com objetos simples, um pimentão para falar bem a verdade...Um pimentão é o que é, um alimento, vermelho, verde, amarelo, muda a cor mas não perde sua essência:

Porém a coisa muda completamente de figura quando eu trabalho a luz:

Aqui temos um resultado que remete a força, músculos, poucos saberiam identificar este pimentão sem ver a imagem anterior como referência, ou seja, em muitos casos a beleza pode estar mais na iluminação do que no próprio objeto ou pessoa fotografada.
Santaella  diz que “…o simples ato de olhar já está carregado de interpretação, visto que é sempre o resultado de uma elaboração cognitiva, fruto de uma mediação sígnica que possibilita nossa orientação no espaço por um reconhecimento e assentimento diante das coisas que só o signo permite”.
Posso resumir que, a semiótica exerce extrema importância na área da fotografia, ela permite ler, criar e analisar tudo de uma forma completamente diferente do que estamos acostumados.

TEXTO E FOTOS POR: Gabriel Camillo Fotografia

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