As interpretações da foto de um menino negro em Copacabana

05/01/2018 - 15h01min - Por Arthur Manson
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A imagem do fotógrafo Lucas Landau viralizou rapidamente pela internet e levantou uma série de debates. A cena apresenta um menino sem camisa, molhado, aparentemente sozinho, enquanto no plano de fundo a massa vestida de branco comemora o réveillon em Copacabana, no Rio de Janeiro.

A fotografia nos apresenta um menino negro de 9 anos em uma praia durante uma festa, mas na verdade revela muito mais sobre como a interpretamos. Os primeiros compartilhamentos da imagem, originalmente enviada em cores à agência Reuters, falavam sobre um menino pobre, assustado, sendo ignorado pela massa branca, como um possível reflexo na nossa situação política e social.

Por outro lado, ativistas do movimento negro questionavam se enxergaríamos essa imagem da mesma maneira se o protagonista fosse um menino branco e loiro. Mayara Assunção, do Coletivo Kianda, um grupo de mulheres negras que discute maternidade, arte, educação e cultura, apontou para o uso de “estereótipos de crianças negras” e escreveu:

“Eu vejo uma criança que parou para olhar a queima de fogos no meio de uma festa. Sinceramente, nós temos que parar de achar que todo menino negro e sem camisa está abandonado, triste, sozinho, infeliz e contrastando com a felicidade dos outros. Temos que parar de achar que todo menino sozinho é criança que vive em situação de rua”

 

 

Para Landau, que afirmou não saber o nome do menino, se estava sozinho ou mesmo a sua condição social, a fotografia abre margem para várias interpretações. “Todas legítimas, ao meu ver. Existe uma verdade, mas nem eu sei qual é”. Através do seu perfil no Facebook, o fotógrafo contou um pouco sobre o momento em que a imagem foi feita:

“Eu estava a trabalho fotografando as pessoas assistindo aos fogos em Copacabana. Ele estava lá, como outras pessoas, encantado. Perguntei a idade (9) e o nome, mas não ouvi por causa do barulho. Como ele estava dentro do mar (que estava gelado), acabou ficando distante das pessoas. Não sei se estava sozinho ou com a família.”

 

Via: Iphoto Channel 

 

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